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PREVIDÊNCIA PRIVADA
Fonte: AssPreviSite
Fundos de pensão admitem saldo distorcido
Presidente da associação do setor afirma que superávit pode ser "fictício" em algumas empresas, pois depende do cálculo atuarial. Na conta são considerados, entre outros itens, tábua de mortalidade e taxa de juros; governo prepara resolução para endurecer as regras A Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar) admite que os fundos de pensão, que estão entre os maiores investidores institucionais do país, podem estar inflando o valor do superávit.
"Pode estar distorcido", disse ontem o novo presidente da
associação, José de Souza Mendonça. Em algumas empresas, afirmou, a sobra pode
ser "fictícia" porque tudo depende de como é feito o cálculo atuarial, que leva
em conta, entre outros itens, tábua de mortalidade e taxa de juros, "que podem
mudar com o passar do tempo".
No próximo dia 26, o assunto será debatido pelo conselho de gestão
da SPC (Secretaria de Previdência Complementar), ligada ao Ministério da
Previdência. O órgão prepara uma resolução para endurecer as regras de apuração
e utilização desse excedente, pois a legislação permite que 75% do superávit -R$
76 bilhões até janeiro- seja aplicado na revisão dos planos de previdência.
Na opinião de Mendonça, regras mais rígidas não são a solução, mas
ele afirma que é preciso haver normas mais claras para, ao distribuir o dinheiro
excedente, "ter certeza de que aquilo não vai fazer falta".
Para definir se o superávit será usado para diminuir a contribuição
dos participantes e das empresas ou para aumentar o valor do benefício, o
presidente da Abrapp argumenta que é preciso determinar qual a origem desse
saldo.
"Tem que analisar fundo a fundo a hipótese atuarial de cada um. A
análise é individual, não pode ter uma regra definida de forma aleatória e
genérica." Outra preocupação da associação é limitar o tempo de mudança em um
ano, quando a redução da contribuição ou aumento do benefício seria novamente
avaliado, de acordo com os novos cálculos atuariais.
Após rentabilidade média de 1,9% ao mês em 2007, a variação da carteira ficou negativa em 1,37% em janeiro, último dado disponível. Naquele mês, 35,4% dos R$ 429 bilhões investidos estavam em renda variável, aplicação que apresentou queda de 5,74% no período. Sem detalhar números, Mendonça disse que "o primeiro trimestre foi muito sofrido". (TATIANA RESENDE - Folha de S.Paulo)
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