
Discurso do Presidente da ABACE
DIA DO APOSENTADO DO BANCO CENTRAL, ocorrido em 25 de outubro de 2010, às 16 horas, no Auditório Octávio Gouveia de Bulhões, no Edifício-Sede do Banco CentralA ABACE foi criada no calor de uma luta pela paridade de remuneração entre funcionários da ativa e aposentados.
Ela nasceu, assim, de uma necessidade de representação dos aposentados para defesa de seus direitos. Claro que ao lado disso veio também a oportunidade de os colegas se encontrarem mais partindo, desse modo, para atividades também de congraçamento.
Aí, vieram os almoços, o exercício de aptidões intelectuais com o uso do jornal da ABACE, enfim, nasceu o companheirismo pós-vida de funcionário do Banco.
Assim tem sido em toda sua existência de 23 anos. Ela foi fundada em junho de 1987. Época em que surgiram também outras Associações. Espelhando o clima de harmonia entre os colegas, não houve qualquer preocupação com demarcação de jurisdição de cada associação. Pelo contrário, vários colegas mais desprendidos filiaram-se até a mais de uma associação, independentemente de suas localizações.
As lutas vindas de berço forjaram uma associação forte e, assim, ela cresceu. Com o tempo, tornou-se cada vez mais representativa e dinâmica. Transformou-se num autêntico ponto de referência para os aposentados e um ponto de apoio muito confiável para os dependentes, principalmente, pensionistas.
Todos encontram nela uma resposta satisfatória quando a procuram com algum problema em mente. A ABACE que fazia suas reuniões em salas cedidas pelo Banco, hoje funciona numa sede de aproximadamente 500 m2., com instalações modernas e confortáveis.
É bem organizada; mantém-se financeiramente muito equilibrada; goza de excelente conceito na sociedade; utiliza todos os meios de comunicação avançados; realiza reuniões semanais com os associados; almoços, mensalmente; oferece cursos para aprendizado ou aperfeiçoamento de idiomas estrangeiros, que forem do interesse do pretendente; cursos de informática; mantém uma programação social boa, mas sempre em processo de melhoria, com novas criatividades; enfim, é uma associação muito ativa e dinâmica. Além disso, mantém um relacionamento harmonioso com o Banco, com a Centrus, com as demais associações e com todas as demais organizações do âmbito do BC, como os sindicatos, a Fenasbac e a ASBAC.
Como neste mundo, nem tudo são flores, a ABACE, sem fugir dessa realidade, enfrenta também, na linha de frente, conjuntamente com as outras associações e os Sindicatos, lutas pela conquista daquilo que entendemos como direito do aposentado, seja no âmbito administrativo ou judicial, tanto para os aposentados como servidores públicos, como para aqueles jubilados ao amparo da CLT, assistidos pela CENTRUS.
Evidentemente, que a defesa dos direitos dos servidores públicos tem muito mais eficiência e mesmo autenticidade, quando exercida pelos Sindicatos, que têm poderes institucionais bem diferenciados dos das Associações.
Estas atuam mais quando no âmbito administrativo ou mesmo judicial. É o caso, portanto, da grande luta dos aposentados assistidos pela CENTRUS, atualmente.
Na verdade, cerca de 864 aposentados com média de idade de 77 anos vem se debatendo, há mais de três anos, pela consecução de direitos que a legislação da previdência complementar de forma clara, sem deixar vácuos para interpretações distorcidas, lhe confere e, enfim, até mesmo pelo recebimento de recursos que incontestavelmente lhes pertencem, pois obtido com a aplicação de seus capitais, no mercado financeiro.
Estarrecedor pensar que até um dia desses os aposentados assistidos pela CENTRUS deixavam na Instituição 15% dos seus benefícios, a título de contribuição e esses recursos, somados às contribuições, que vêem sendo cobradas desde o primeiro dia de trabalho de cada aposentado, ou seja, durante mais de 40 anos, para a maioria, obviamente engrossaram o capital que a CENTRUS aplicou no mercado para obter tão expressivo resultado.
Foi esse o capital que aportamos e rende hoje um superávit monumental na CENTRUS que, infelizmente, nosso patrocinador, nosso sempre amado e venerado Banco Central do Brasil, de quem muito nos orgulhamos, permitiu que fosse colocado uma dúvida atroz quanto à destinação. Coisa que a legislação, os Órgãos da Previdência e o próprio bom senso deixa escancarado que a destinação é a repartição entre as partes que contribuíram para a formação do capital. Ou seja, Banco Central do Brasil e Participantes do Plano da Centrus, em partes iguais.
Então, senhores diretores, neste dia de hoje, a melhor forma de Vossas Excelências demonstrarem verdadeiro apreço e reconhecimento por tudo aquilo que os antigos ex-funcionários fizeram e contribuíram para a criação e engrandecimento desta respeitável Instituição que é o nosso Banco Central, é prometer, do fundo do coração, não pelo fato de serem também nossos colegas por origem, muito menos, por sentimento de corporativismo, coisa que não se coaduna e nunca encontrou guarida nas decisões desta Casa, mas como homens competentes e responsáveis que são, conscientes, austeros e de sensibilidade humana.
Prometam refletir profundamente sobre esta causa e se é justo deixá-la flutuando por mares estranhos, onde corre o risco de submergir levando consigo esperanças de um grupo de trabalhadores que, hoje, anciãos, amargam angústias e revoltas pelo clima de negação absurda que estão enfrentando.
Ajam rápidos, diretores, por favor, dêem toda prioridade ao assunto, porque muitos desses anciãos, cansados de esperar, estão deixando este mundo – todos os meses cerca de 6 deles falecem.
Finalmente, por outro lado, é impensável que o Banco enquanto despende toda essa energia para evitar a fluidez de um sistema puro e saudável, esteja, por lamentável equívoco, privando-se de receber imediatamente expressiva soma de recursos que bem poderia ser utilizada em programas sociais do Banco, como o PASBC, que atende a toda massa de servidores e ex-funcionários, aposentados e dependentes.
Além disso, não podemos deixar de lamentar também que o Banco esteja perdendo a grande oportunidade de garantir a perenização de nossa CENTRUS, com a implantação de um plano de previdência complementar para ser operado por ela, sólido, moderno e atrativo, destinado aos atuais servidores que, ao se aposentarem sem esta opção, sofrerão irreparáveis perdas monetárias. Enfim, é inevitável dizer-se, que olvidando tudo isso, o Banco estaria dando um tiro no próprio pé.
Walter Gomes de Oliveira
Presidente da ABACE - 25 de Outubro de 2010
Associação Brasiliense de Aposentados do Banco Central
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