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Humor

Crônica bem humorada
Cid Jorge Haui

 Almeidinha, repórter por um dia!

         É muito comum, quando se narra uma história, prevenir o leitor de que qualquer semelhança é mera coincidência. Sinceramente, não é o caso presente.

        Joviniano Almeida Junior, conhecido nos meios radiofônicos como Almeidinha, era plantonista da equipe de esportes de uma importante emissora de rádio de São Paulo.

        Para quem não sabe, plantonista é aquele locutor de estúdio, que ao longo da transmissão esportiva anuncia os gols que vão acontecendo nos jogos da rodada.

        Almeidinha era louco para ser promovido à repórter de campo, para ficar mais perto de seus ídolos, entrevistá-los e, é claro, ficar mais conhecido, pois o repórter tem muito mais visibilidade.

        Na impossibilidade de todos os demais repórteres da emissora, Almeidinha foi escalado para informar o andamento do jogo Santos e Guarani.

        Que grande dia para o Almeidinha, chegara sua grande chance de fazer uma cobertura externa.

        Almeidinha, então, avisou a todos os familiares, amigos, o pessoal da padaria, do mercado e da farmácia do bairro. Pediu ao dono do boteco que colocasse o rádio bem alto para que todos os pinguços conhecidos e outros alcoólicos anônimos pudessem ouvi-lo.

        Almeidinha passou cedo na emissora, pegou o equipamento técnico que ele mesmo montaria, já que começara como operador, e se mandou para o estádio.

        Enquanto contava os minutos, aguardando a grande estréia, decorava palavras de efeito que iria pronunciar ao longo da transmissão:

        - Senhoras e senhores, quem vos fala é J. Almeida, Almeidinha para os íntimos...

        - Não, essa entrada não está legal.

        - Alô amigos do futebol, aqui Almeida, mas pode me chamar de Almeidinha...

        Almeidinha seguia ensaiando pois não podia falhar logo na estréia. A primeira impressão é a que fica, dizia.

        Oito horas da noite, em ponto. O narrador principal da emissora abre a transmissão e, após os cumprimentos de praxe, começa acionar os postos de informação colocados nos outros estádios.

        - Alô Almeidinha, eu quero que você informe, inicialmente, qual a expectativa em relação ao público que se fará presente, esta noite, para assistir a partida Santos e Guarani.

        Com voz pausada e dicção ensaiada, Almeidinha faz sua primeira intervenção:

        - Coisa estranha acontece aqui neste belo estádio. Já são vinte horas e dez minutos. O público ainda não se faz presente, tudo às escuras e o jogo está marcado para oito e meia. Coisa estranha, garganta de aço. Eu volto com você.

        - Almeidinha, de que estádio você está falando?

        - Desde o Brinco de Ouro da Princesa, na cidade de Campinas, estádio do Guarani, garganta...

        - Mas, Almeidinha, o jogo é no estádio Urbano Caldeira, na Vila Belmiro, por isso que é Santos e Guarani e não Guarani e Santos.

        O Almeidinha, sem perder o rebolado, apenas completou...

        - Então eu retiro o que disse, anteriormente, nada de estranho acontece por aqui, assim que acontecer, eu volto a informar...

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Almeidinha encerrou sua carreira de repórter no dia de sua estréia. Almeidinha, repórter por um dia!


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