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TERMÓPILAS E NOSSO TEMPO
Murilo Moreira Veras
Termópilas, Termópilas, Termópilas,
há 2.480 anos o indescritível ocorreu
na garganta de tuas pedras nuas:
– a Batalha das Termópilas.
Ali, diante de teus Portões de Fogo,
sob o tinir de escudos espatifados, lanças partidas,
flechas sibilantes e adagas assassinas,
tombaram os célebres 300 que se imolaram.
Ali, em meio a sangue e lágrimas,
diante de um vociferante mar azul,
jazem os indômitos guardiões da antiga Hélade.
Todo o ocidente é refém de tua glória,
o sono dos heróis a cinzelar-lhes as frontes.
Leônidas, a bravura de teu braço
repousa insone até o resplandecer da nova aurora,
tu a conquistaste ao coração do tempo,
vontade férrea de um valente.
Tu te fizeste guardião da liberdade,
o livre pensar te imunizou da violência
e do arbítrio.
Com apenas 300
enfrentaste a inclemência dos bárbaros invasores,
à Mãe-Pátria, imolaste o próprio corpo,
o sagrado solo interditaste à mão da tirania.
Nuvens de flechas cobrirão o sol, disseram,
e respondeste: “Melhor, lutaremos na sombra!”
Indomável guerreiro, tua dignidade e exemplo
tornaram nossa civilização imortal.
O culto à liberdade, a razão prevalente à paixão,
Preferiste morrer livre que viver como escravo.
Hoje, fruímos o legado desta ciclópica aventura
– os 300 de Esparta.
Mas, teremos feito jus a sacrifício tão imenso?
Será que somos realmente dignos de descendermos
dos 300 de Esparta?
O que fizemos senão gerir o espólio de uma cultura
que espalha discórdia e violência,
o individualismo, a descrença, a cruel globalização?
Quem sabe hoje o que é ofensa de lesa-pátria,
o conceito de solo sagrado, do culto familiar,
das libações antigas?
Foram tragados pelo furacão da história.
A máquina do progresso os fulminou,
a modernidade substituiu-os pela mídia, a força trabalho, o dinheiro, a riqueza, a tecnologia, a prosperidade.
De repente no trigo do progresso
germina também o joio da fome, da miséria, da pobreza.
Daí a explosão do ganha-pão violento,
da ganância de alguns contra a multidão desamparada.
É a ideologia do lucro, dos cartéis desumanos,
da escravidão branca e mascarada,
o desconcerto geral das nações,
um grupo se aproveita de outro, em detrimento
de raças, ideais, nações injustiçadas
e espoliadas.
È a polis que se desmorona, degenera.
Agora reina o pragmatismo ideológico, demagógico,
irracional, que se intitula salvação do social.
E é assim que nascem e proliferam
os chamados salvadores da pátria,
os flibusteiros da razão.
Infiltram-se nos serviços da polis, os militantes sofistas,
flautistas de um canto novo, proclamam uma nova era,
constroem falácias por verdades
e as difundem como peçonhas em rios cristalinos,
encantam almas, trapaceiam corações.
Enquanto, do outro lado do rio,
os de boa vontade, trabalhadores honestos, homens e mulheres de bem, dormem o sono dos justos,
os braços cruzados!
Termópilas, Termópilas, Termópilas!
Escutai nossos clamores,
acordai o coração desses justos.
Beckmão, do cadafalso revive a tua grandeza.
Frei Caneca, purifica a forca de tua infâmia.
Tiradentes, desata o laço vil de tua desonra.
Rui Barbosa, redige a norma mais pura da justiça
e vamos todos à luta, pretos, brancos, amarelos, mestiços,
mulatos, migrantes e imigrantes,
todos patriotas – nós, os 300 brasileiros indômitos.
Nos Portões de Fogo de nossos sonhos,
salvaremos a Pátria
dos Catilínas do poder, aqueles que pregam
a panacéia do igualitarismo social, material, científico,
mas, artificiosamente nos enganam.
Bsb, 2.04.07
Associação Brasiliense de Aposentados do Banco Central
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