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AO
No ventre morno me protegeste do frio e das intempéries,
ali a vida principiou nova experiência com pequenina célula
que se multiplicou para um corpo formar,
definido e completo.
Acompanhei de perto,
atento,
essa maravilhosa arrumação da matéria,
cuja obra final,
com elementos engrenados em perfeita harmonia funcional,
serviria de instrumento operacional no meu estágio existencial.
Depois me acalentaste no colo delicioso,
em proteção mais ativa
de amor e carinho,
incentivaste-me os
primeiros passos,
amenizaste as primeiras
quedas do pequeno corpo
e da pequena alma ainda em sono preparatório,
educaste-me os ímpetos juvenis desnorteados,
com sabedoria e intuições certeiras.
Nunca me faltaste o consolo renovador
em nenhum momento de dor.
Desafios temerosos transformaste-os na necessidade evolutiva,
alentos poderosos ressuscitando ânimo desbravador.
Mãe querida,
fui levado pela força
de teu amor
em toda trajetória de minha jornada terrena.
Hoje quero te banhar com as limpas lágrimas do meu reconhecimento sincero,
para te ver bela e luminosa nos passos trôpegos a caminho da gloriosa partida,
certo de que outros
relacionamentos vitoriosos teremos
na marcha infinita da vida.
* Escritor, poeta de veia espiritualista, nosso colaborador eventual
CDL/BSB, 13.05.07
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