Seja bem-vindo(a). Brasília-DF, 19/05/2012

CLUBE DO LIVRO

Ata da reunião de hoje 04/07/2011, segunda-feira, às 10h na sede da ABACE

 

PRESENTES

 

-Antonio Torquato dos Santos

-Fernando de Oliveira Ribeiro

-Celso Agostinho Martins de Oliveira

-Walter Gomes de Oliveira

-Antonio Augusto dos Reis Veloso

-Carlos Eduardo Freitas

-Murilo Moreira Veras

 

LIVRO APRECIADO

 

- Ressurreição, de Leon Tolstoi.

 

 

 

 

“Pudor, dom que a natureza outorgou como escudo não apenas aos seres humanos mas também aos animais.”

Leon Tolstoi (Ressurreição)

 

Comentários:

 

O autor, Tolstoi, como se sabe, era um nobre que se rebelou contra a nobreza. Cultuava religiosidade extrema, praticamente fundando uma nova religião, baseada no solidarismo e na caridade. Por isto, foi excomungado da fé ortodoxa, justo ao contrário de seu contemporâneo Dostoievski. Neste seu livro, há indícios de que Tolstoi quis se contrapor a Dostoievski no seu CRIME E CASTIGO.
O personagem principal deste praticou um crime hediondo e foi punido com prisão na Sibéria, onde sofre e procura se redimir. Já no romance de Tolstoi, a personagem é uma prostituta, que é acusada de delito, é punida e também desterrada para a Sibéria, mas sofre toda sorte de injustiça praticada pela própria sociedade. Tolstoi aproveita para criticar severamente toda a sociedade burguesa, inclusive apontando as vissicitudes que a mulher sofre, a pessoa indefesa, o pobre,  tendo por algoz um regime impiedoso e totalmente injusto.
Na realidade, Tolstoi era um fundamentalista e dos mais acirrados. Dostoievski apoiava a religião ortodoxa, ele mesmo um ortodoxo empedernido. Também criticou a sociedade e o regime czarista que oprimia o povo russo.
Mas há ainda um contraponto: a novela RESSURREIÇÃO de Machado de Assis.
Neste pequeno livro - uma das primeiras obras de Machado - ele narra a história de um solteirão impedernido que, noivo de Felícia, viúva linda e apaixonada por ele, nutre terrível ciúme por ela, sempre achando que ela o engana e que não o ama suficientemente. A ressurreição de Machado seria quanto ao amor, que precisa renascer sempre para poder perenizar-se como sentimento eterno. É interessante analisar-se as três obras e ver em que ponto elas se entrelaçam, as diferenças de filosofia, as idéias que cada autor utiliza para vender seu peixe. Sabe-se que Machado imprimiu em toda sua obra muitas das visões dos autores russos, de quem era fã incondicional e dos quais herdou a ironia e o ceticismo e certamente o nacionalismo.

Um abraço clubístico a todos

Murilo Moreira Veras